• Mamografias e Classificação BI-RADS® (nº 11 - Jun/2009)
O câncer de mama no Brasil é o câncer mais prevalente (soma dos casos novos e antigos) na população feminina (sem levar em consideração os cânceres de pele não melanoma) e aquele que mais causa óbito entre todos os cânceres na mesma população.
Existem diversas estratégias para controlar a incidência (casos novos) e a mortalidade (nº de mortes) por este câncer. A detecção precoce, isto é, a identificação do câncer logo no início do seu crescimento é a estratégia que mais impacto causa na diminuição da mortalidade. A detecção precoce pode ser feita pelo exame clínico das mamas (diagnóstico precoce) ou pela realização de um exame radiológico das mamas chamado mamografia (rastreamento). O diagnóstico precoce identifica tumores palpáveis pelo exame clínico, enquanto que a mamografia pode identificar tumores impalpáveis.
Até 1993 não existia uma padronização dos achados radiológicos das mamografias. Isto significava que cada profissional que emitia um laudo de mamografia descrevia os achados de uma forma que poderia, e muitas vezes assim acontecia, diferente de um outro colega que analisava a mesma radiografia, ainda que fossem os mesmos achados.
Em 1993 o Colégio Americano de Radiologia (ACR) dos EUA desenvolveu um sistema de descrição e classificação dos achados radiológicos de mamografias chamado Breast Imaging Reporting and Data System (BI-RADS® ). Em 1997, por meio de uma regulamentação de qualidade, todas as mamografias deveriam ser descritas de acordo com este sistema.
Em 2005, o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) traduziu (com autorização do ACR) o sistema BI-RADS® para a língua portuguesa. Desta forma, o CBR passa a exigir de seus membros a utilização deste sistema para o processo de descrição e classificação dos achados das mamografias.
Em 2006 o Ministério da Saúde por meio do Instituto Nacional de Câncer (INCA) desenvolveu um sistema de informação para as ações de rastreamento do câncer de mama no âmbito do SUS e que foi implementado em junho de 2009. Neste sistema é exigido a utilização do sistema BI-RADS® para classificar as mamografias.
O BI-RADS® classifica os achados radiológicos de uma mamografia em 7 categorias (BI-RADS® 0, 1, 2, 3, 4, 5 e 6). Estas 7 categorias são divididas entre avaliação incompleta (categoria 0) e avaliação completa (categorias 1, 2, 3, 4, 5 e 6).
A categoria 0 significa que os achados encontrados não permitem uma avaliação definitiva e, portanto, necessita de uma avaliação adicional. A categoria 1 significa avaliação negativa (sem achados radiológicos) e a categoria 2 significa achados benignos. Cerca de 90-95% das mamografias em mulheres sem sintomas (mamografias de rastreamento) são categorias 1 e 2. A categoria 3 significa achados provavelmente benignos mas que algumas outras mamografias em intervalos de 6 a 12 meses devem ser realizadas para confirmar os achados benignos. As categorias 4 e 5 significam suspeita de malignidade e devem ser complementadas com biópsia da mama. A categoria 6 são os achados radiológicos em mulheres que já tem um diagnóstico confirmado de câncer de mama por biópsia e aguardam tratamento.
Para as 7 categorias apresentadas são indicadas 4 possibilidade de recomendações: realização de imagens adicionais (categoria 0), rotina de mamografia de rastreamento (categorias 1 e 2), seguimento com outras mamografias em intervalos menores (categoria 3) e biópsia de mama (categorias 4 e 5).
O sistema BI-RADS® tem impacto nos cuidados ao paciente por minimizar a super utilização e a sub utilização dos exames e procedimentos diagnósticos de câncer de mama. Por isto, é importante que médicos generalistas e outros especialistas que não ginecologistas e mastologistas conheçam este sistema e que mulheres submetidas à mamografia também o conheçam.
Para maiores informações sobre o câncer de mama e classificação BI-RADS® visite a página do INCA e do CBR na Internet.
Ronaldo Corrêa
Oncologista/Sanitarista