11/08/2010

Laserterapia

 

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) de 466.730 novos casos de pacientes com câncer no ano de 2008, nos leva a refletir sobre a morbidade associada especificamente à toxicidade oral aguda e sobre o melhor tratamento específico.

A mucosite oral é uma das complicações mais comuns e dolorosas induzidas pela radioterapia e pela quimioterapia. As lesões da mucosite oral podem variar desde eritema leve até o aparecimento de úlceras com descamação da mucosa.

Algumas drogas estão associadas à toxicidade endotelial e têm potencial de toxidez  sobre mucosa oral. O tecido conjuntivo também é alvo tanto da radioterapia (RT) quanto da quimioterapia (QT). 

Nos pacientes que receberam transplante de medula óssea (TMO) autólogo ou alogênico e não foram submetidos ao tratamento preventivo com laser, 68% apresentam mucosite oral graus 3 e 4, e 31% mucosite oral graus 1 e 2.

Já a incidência de mucosite oral, em qualquer grau, nos pacientes submetidos à RT exclusiva, RT hiperfracionada ou RT associada à QT, para tratamento de neoplasia maligna de orofaringe, hipofaringe e laringe, foi de 97%, 100% e 89% respectivamente, e nos graus 3 e 4 de 34%, 57% e 43%.

A mucosite oral pode gerar importantes complicações, incluindo infecções sistêmicas, dor em cavidade oral e dos à deglutição, resultando, muitas vezes, na necessidade de interrupção do tratamento e de nutrição enteral ou parenteral.

Os tratamentos são diversificados e buscam atenuar a sintomatologia dolorosa das lesões ou preveni-las. A Multinational Association of Supportive Care Cancer (MASCC) através da International Society for Oral Oncology (ISOO) realizou uma revisão de literatura, entre janeiro de 1966 e maio de 2002, sobre mucosite oral e recomendou tratamentos com alto nível de evidência científica. 

Nesta revisão, o autor relata que a benzidamina sob a forma de bochechos é indicada para prevenir a mucosite em pacientes submetidos à radioterapia na região de cabeça e pescoço. A crioterapia (chupar gelo) é indicada para pacientes submetidos a infusão de quimioterápicos como o 5-FU em bolus, e o laser de baixa potência é indicado para prevenir mucosite oral em pacientes sujeitos a QT, incluindo TMO.

Neste universo, a terapia com laser de baixa potência (TLBP) intraoral se destaca como uma alternativa eficaz na prevenção e no tratamento da mucosite oral, apresentando-se como um método com bons resultados, de baixo custo e não traumático. Diversos estudos comprovaram a redução da incidência e da dor associada à mucosite oral em pacientes submetidos ao tratamento combinado (QT + RT) e em pacientes que realizaram o transplante de medula óssea que foram sujeitos à laserterapia.

 


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