11/08/2010

O que é Radioterapia?

Radioterapia é a especialidade médica que utiliza diferentes formas de radiação, de forma segura e eficaz, no tratamento do câncer e outras doenças. A radiação ionizante age danificando o material genético das células tumorais, limitando sua reprodução.

As células normais também são afetadas pela radiação, mas elas são capazes de se recuperar de uma forma que as células tumorais não podem. Além disso, o radioterapeuta desenvolve um plano de tratamento computadorizado, com objetivo de administrar a radiação na área que contém o tumor, protegendo os tecidos normais da maneira mais eficiente possível.

Radioterapia pode ser indicada, durante o tratamento com diferentes objetivos. Quando a intenção do tratamento é curativa, a radioterapia é ser usada para:

  • Destruir tumores que estão localizados e curar a doença.
  • Reduzir o risco de recidiva tumoral após a cirurgia ou a quimioterapia, tratando células residuais.
  • Reduzir o câncer antes da cirurgia.

Em outros casos, o objetivo é aliviar os sintomas causados pelo crescimento de tumores e para melhorar a qualidade de vida. Neste caso, a radiação pode ser usada para:

  • Reduzir os tumores que estejam interferindo com a qualidade de vida do paciente, como um tumor do pulmão que esteja causando falta de ar.
  • Aliviar a dor, reduzindo o tamanho de um tumo

Tem ainda aplicações em condições não-malignas, como o tratamento da neuralgia do trigêmeo, prevenção de crescimento de uma cicatriz quelóide, e prevenção da ossificação heterotópica.

 

História da Radioterapia

A radioterapia tem sido usada como um tratamento contra o câncer há mais de 100 anos, com suas origens a partir da descoberta dos raios X em 1895 pelo físico alemão Wilhelm Röntgen.

O campo da terapia com radiações começou a crescer no início de 1900, em grande parte devido ao trabalho inovador da vencedora do Prêmio Nobel, a cientista Marie Curie, que descobriu os elementos radioativos polônio e rádio. Isso começou uma nova era no tratamento médico e na investigação diagnóstica. Radium foi usado em várias formas, até meados de 1900, quando as unidades de cobalto e césio entraram em uso. Aceleradores lineares médicos têm sido usados como fontes de radiação desde a década de 1940.

Com a introdução da tomografia computadorizada, o planejamento tridimensional tornou-se uma possibilidade e criou uma mudança significativa na radioterapia permitindo que os médicos determinem com mais precisão a distribuição da dose.

O advento das novas tecnologias de imagem, incluindo ressonância magnética e PET CT, além do desenvolvimento de sofisticados sistemas de planejamento e aceleradores lineares de última geração capazes de modular a intensidade do feixe de radiação (IMRT), e reduzir os movimentos e erros relacionados ao tratamento, conceito da radioterapia guiada por imagem (IGRT).

 

Tipos de Radioterapia

Radioterapia Externa:

Durante a radioterapia externa, feixes de radiação são dirigidos através da pele para o câncer e seu entorno imediato, a fim de destruir o tumor principal e todas as células cancerosas nas proximidades. Para minimizar efeitos adversos, os tratamentos são normalmente administrados durante cinco dias por semana, de segunda a sexta-feira, por um número determinado de semanas. Isso permite que os médicos consigam administrar doses  radiação suficiente no tumor dando tempo para as células saudáveis se recuperarem.

O feixe de radiação é normalmente gerado por um aparelho chamado acelerador linear. O acelerador linear é capaz de produzir alta energia de raios X ou elétrons para o tratamento do câncer. Utilizando planejamento computadorizado para realização do tratamento, é possível controlar o tamanho e a forma do feixe, bem como a maneira como é dirigida ao alvo, para tratar o tumor de forma eficaz, poupando o tecido normal adjacente.

Alguns tipos especiais de radioterapia externa estão atualmente disponíveis: 

Radioterapia conformacional em 3 dimensões (3D-CRT):

Tumores não são regulares, tendo diferentes formas e tamanhos. Radioterapia conformacional tridimensional, ou 3D-CRT, usa computadores e técnicas de imagem especiais, tais como tomografia computadorizada, ressonância magnética ou PET scan para determinar o tamanho, forma e localização do tumor, bem como órgãos circunvizinhos. Então os feixes de radiação são adequados de forma precisa para o tamanho e a forma do tumor com colimadores fabricados ou personalizados definindo os campos. Como os feixes de radiação são direcionados de forma precisa, os tecidos normais próximos recebem menos radiação e são capazes de se recuperarem mais rapidamente.

Radioterpia com intensidade Modulada:

Radioterapia com intensidade modulada, ou IMRT, é uma forma avançada de radioterapia conformacional (3D-CRT) que permite que o feixe de radiação possa ser dividido em níveis de intensidade diferentes e que assim seja moldado de acordo com a forma tumor, fazendo com que o tratamento alcance um altíssimo grau de precisão. Usando IMRT, é possível limitar ainda mais a quantidade de radiação recebida pelos tecidos saudáveis adjacentes ao tumor. Em algumas situações, isso também pode permitir que uma dose maior de radiação seja administrada ao tumor de forma segura e precisa, aumentando potencialmente a chance de cura.

Radioterapia estereotáxica / Radiocirurgia estereotáxica 

Radioterapia estereotáxica é uma técnica que permite a administração de doses de radiação de maneira extremamente focada em um alvo (tumor) bem definido. A aplicação tão precisa é conseguida através de uma imobilização muito segura do crânio ou do corpo, ou  pelo uso de técnicas que permitam que o feixe de radiação possa acompanhar o movimento do órgão  durante a respiração. Isso permite que sejam administradas altas doses de radiação por fração.

Radioterapia estereotáxica é frequentemente administrada em dose única (às vezes chamada radiocirurgia estereotáxica), embora em certas situações é possível que se necessite de mais de uma aplicação. É melhor indicada para tumores pequenos. Além de tratar alguns tipos de câncer ou tumores benignos, radiocirurgia também pode ser usado para tratar malformações nos vasos sanguíneos do cérebro e algumas condições neurológicas benignas, como neuralgia do trigêmeo.

Às vezes, uma alta dose de radioterapia estereotáxica pode ser focada em tumores pequenos fora do cérebro, como no pulmão ou fígado, dada em algumas aplicações (geralmente de três a oito). Esta forma de tratamento é chamada de radioterapia estereotáxica corpórea (SBRT). 

Radioterapia Guiada por Imagem:

Radioterapia Guiada por Imagem ou IGRT, é utilizada para aumentar a acurácia na administração da radiação, pois os tumores podem se mover entre os tratamentos, devido a diferenças no volume dos órgãos adjacentes ou de movimentos durante a respiração. IGRT envolve a utilização de exames de imagem como tomografia computadorizada, ultra-som ou raios-X diariamente, realizados na sala de tratamento pouco antes de o paciente receber a aplicação da radiação. Essas imagens são comparadas com a tomografia computadorizada de planejamento. O radioterapeuta realizará então os ajustes necessários com o objetivo de garantir que o tumor esteja coberto pela dose prescrita. Essas correções permitem que o tratamento seja orientado de forma mais precisa ao tumor, diminuindo as doses nos tecidos saudáveis.

Braquiterapia

A braquiterapia é a colocação de fontes radioativas próximas ou dentro do tumor. A palavra braquiterapia (Brachy) vem do grego, que significa, “perto, curta distância”. Durante a braquiterapia, as fontes radioativas podem ser deixados no lugar permanente ou temporariamente, dependendo do câncer.

Existem dois tipos principais de braquiterapia - tratamento intracavitário e intersticial Com o tratamento intracavitário, as fontes radioativas são colocadas em um espaço perto de onde o tumor está localizado, como em colo do útero, vagina ou traquéia. No tratamento intersticial, as fontes radioativas são colocadas diretamente nos tecidos, como o de próstata.

Estes procedimentos podem requerer anestesia, um procedimento cirúrgico e uma breve estadia no hospital. Pacientes com implantes permanentes podem ter algumas restrições no primeiro momento e depois podem retornar rapidamente às suas atividades normais. Os implantes temporários são deixados no interior do corpo por alguns minutos, horas ou dias.

Braquiterapia de alta taxa de dose (HDR braquiterapia) envolve a colocação das fontes de radiação de grande intensidade no tumor por alguns minutos através de um cateter, sendo geralmente administrada em doses múltiplas, uma vez ou duas vezes por dia ou uma vez ou duas vezes por semana. O tratamento é geralmente administrado em 20 a 30 minutos e o paciente é capaz de ir para casa logo após o procedimento.

Braquiterapia de baixa taxa de dose (LDR) envolve a colocação de fontes temporárias (vários dias) ou fontes de radiação permanentes na área do tumor.

Dependendo do tipo de braquiterapia que o paciente recebe, pode ser necessário tomar algumas precauções depois de deixar o tratamento, especialmente se este pretende estar em torno de crianças ou mulheres grávidas. Isto está relacionado apenas aos pacientes com implantes permanentes. 

A braquiterapia pode ser usada de forma isolada ou em conjunto com tratamentos de radiação externa. 

 

Efeitos adversos

A maioria dos efeitos colaterais da terapia da radioterapia estão limitados a área tratada. Por exemplo, um paciente com câncer de mama pode notar a irritação da pele do tórax, como uma queimadura solar fraca a moderada, enquanto um paciente com câncer na boca pode ter dor quando engole. Alguns pacientes que estão tendo seu abdomen tratado podem relatar sensação de mal estar na região do estômago.

Novas técnicas de radioterapia, como IMRT, IGRT, têm mostrado capacidade de diminuir a frequencia da toxicidade relacionada ao tratamento.

Estes efeitos secundários estão relacionados com a lesão de células que se dividem rapidamente. Eles geralmente são temporários e podem ser tratados pelo médico. Os efeitos colaterais geralmente começam ao redor da segunda ou terceira semana de tratamento, e podem durar várias semanas após o final da radioterapia. Em casos raros, os efeitos secundários são mais intensos após a conclusão da radioterapia.

O efeito secundário mais frequentemente relatado pelos pacientes que recebem a radiação é a fadiga. Esse sintoma geralmente é leve ou moderado, sendo diferente para cada paciente, e estando relacionado com a área tratada e tratamentos concomitantes, como a quimioterapia. Os doentes podem ser capazes de continuar com a totalidade ou uma parte de suas atividades diárias normais. Sempre que possível, o paciente deve tentar reservar um tempo durante o seu tratamento para descansar e relaxar.

Os médicos, enfermeiros envolvidos no tratamento são capazes de recomendar estratégias, prescrever medicamentos ou sugerir alterações nas atividades dos pacientes, fazendo com que esses esses efeitos sejam minimizados.


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